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Chovia

Chovia. Chegava quase a ser uma composição comparativa. Como poderia dizer se chovia mais lá fora ou lá dentro? Chovia apenas. Chovia tanto desprezo como afeto. Chovia tanto rancor quanto amor. Chovia rimas sem métrica. Chovia versos brancos marcados de introspecção. Chovia mentiras sinceras que para alguns interessavam, e para outros, nem tanto. Chovia ignorância. Chovia amor incompreendido. Chovia amor incontido. Chovia covardes. Chovia um alarde. Chovia apaticidade. Chovia rótulos. Chovia desconfiança. Certa de que estava no lugar errado, a moça que chovia para fora e que sentia a chuva de fora inundar o de dentro, encontrou alguém que chovia tanto quanto ela. Converter-se-ia em uma enxurrada de emoções, a partir de então. Comover-se-ia diante de tanta chuva bonita, e, chovendo para fora, receberia de lábios temerosos a chuva amarga de fora, a qual era a mais intrigante que já sentira. Chovia.

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